top of page
  • Foto do escritorRogério Baptistini Mendes

A democracia tem um rosto de mulher

Atualizado: 15 de jan.

As mulheres, que lutam na linha de frente para manter os lares, cuidar dos filhos e, muitas vezes, dos companheiros, são as principais vítimas da desigualdade de oportunidades e de salários, do assédio e de todas as formas de violência.

Marina Ginestà


Marina Ginestà tinha 17 anos quando foi fotografada por Juan Guzmàn (nascido Hans Gutmann) no alto do Hotel Colón, em Barcelona, durante a guerra civil espanhola em 1936. Na ocasião, militante da juventude comunista, ela atuava como repórter e tradutora acompanhando o correspondente do jornal soviético Pravda, Mikhail Kolstov. Durante o conflito, desiludida com as orientações de Moscou, aproximou-se dos trotskistas do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM) e dos anarquistas da Confederação Nacional do Trabalho (CNT). Em 2014 morreu em Paris, aos 94 anos.


A guerra civil espanhola se estendeu de 1936 até 1939 e terminou com vitória dos fascistas e a derrota da República. Ela é marcada pelo engajamento de voluntários de todo o mundo na luta pela liberdade. Calcula-se que as brigadas internacionais tenham juntado cerca de 35 mil pessoas de 50 países, inclusive do Brasil. As mulheres estrangeiras também se fizeram representar na luta e estima-se entre 600 e 700 as comprometidas com a causa republicana. Entre elas estava a Argentina Mika Etchebéhère, líder de batalhão e que ficou conhecida como “La Capitana”.


A história não faz justiça à mulher. A guerra civil espanhola, com toda a sua selvageria explicitada de maneira superbíssima por Picasso na obra Guernica, de 1937, encontrou as mulheres na linha de frente, lutando pela República e pela liberdade em sentido amplo. Elas combatiam a tripla escravidão que ainda hoje submete o feminino em todo o mundo: a ignorância, ser mulher e ser trabalhadora. O movimento “Mulheres Livres”, criado no interior da CNT, tinha esse objetivo. Graças à historiadora Martha Ackelsberg, do Smith College dos EUA, as fotografias das mulheres combatentes ganham dimensão com a história de sua participação na linha de frente, de seus objetivos e dificuldades.


O Brasil destes tempos demonstra o quão longe estamos da superação dos preconceitos e da edificação de uma sociedade livre e justa. As mulheres, que lutam na linha de frente para manter os lares, cuidar dos filhos e, muitas vezes, dos companheiros, são as principais vítimas do desemprego. Além de suportarem a desigualdade de oportunidades e de salários, o assédio e todas as formas de violência de gênero, elas são negligenciadas pelo governo de turno. Hoje, mais do que nunca, a democracia tem um rosto de mulher. E não é rosa como quer a ex-ministra e atual candidata ao Senado, Damares Alves.

95 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page