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  • Foto do escritorRogério Baptistini Mendes

A elite econômica e o Brasil

Atualizado: 15 de jan.

Bolsonaro não é capaz de governar. Assombra que tenha sido eleito e que setores da elite econômica o tenham apoiado na caminhada rumo ao topo.

Frei Vicente do Salvador


Bolsonaro não é capaz de governar. Assombra que tenha sido eleito e que setores da elite econômica o tenham apoiado na caminhada rumo ao topo. Isso revela algo sobre a alta-roda e sua relação com o país. Infelizmente, com as exceções de sempre, os “de cima” parecem enxergar a terra e o povo como um recurso a ser explorado até o limite, um patrimônio para desfrute. Não é por outro motivo que, em plena pandemia, despudoramente, insistiram na contraposição da economia à vida, criando um falso dilema que afronta princípio basilar de nossa sociedade política. De fato, essa terra não é República, mas cada casa, conforme observou Frei Vicente do Salvador no século XVII.


Ainda que o Estado-nação tenha sofrido abalos como unidade de referência em um mundo que desde o último quarto do século XX se apresenta cada vez mais globalizado, é fato que enfrentamos os principais desafios à nossa existência organizados politicamente em sociedade nacionais. E estas são prósperas e aparelhadas em função do grau de desenvolvimento e integração de suas economias, de estabilidade de suas instituições e de cultura pública de seu povo. É a modernidade que recobre e sustenta a forma moderna, configurando o mundo burguês. Onde uma e outra estão dissociadas a elite não cumpriu o seu papel histórico, não foi ator de mudança. Ela própria está fora do lugar, no tempo e no espaço.


A aberração que é o governo Bolsonaro está relacionado à inexistência de uma elite moderna entre nós. Aqui, os “do alto” se fizeram à sombra do Estado, parasitando o seu incentivo e proteção. Herdaram da aventura colonial portuguesa o ethos do qual nem mesmo a recente conversão religiosa e ultraliberal os afasta. Seu caráter é expresso na vida dupla: para fora, contratos; para dentro, mando. Deslumbrados com o Norte das revoluções políticas que nunca experimentaram, fazem do Sul uma imensa planta industrial, um acampamento de miseráveis, não uma autêntica comunidade política. Não é por outro motivo que não se comovem com o destino das instituições e das pessoas. Seu negócio é o negócio. Empreender é o principal verbo da novilíngua reformista.


O triste é que poderíamos ter sido. Em um momento particular da história, num contexto favorável, uma geração nova, ligada ao setor moderno da economia, intentou criar instituições por sobre o atraso e inventar um novo Brasil. Talvez tenha sido a única elite não colonizada que conhecemos, aquela das primeiras décadas do século XX. Seu legado material e simbólico, sintetizado na indústria, na universidade, na legislação social é que está sendo destruído pelos capitalistas tropicais, ignorantes da terra e das gentes. Estes, representados por sinistro ministério, ignoram a tragédia das vidas perdidas, da floresta devastada. Se ocupam apenas de coisas elevadas, tais como viver sem produzir. E caminhamos, sem atenção para a educação e a saúde; sem projeto para o trabalho e a indústria. É de pasmar!


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