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  • Foto do escritorRogério Baptistini Mendes

O ato dos golpistas na avenida Paulista

Entrevista concedida ao repórter Davi Carlos Acácio, da Sputnik Brasil, sobre o ato bolsonarista convocado para o dia 25 de fevereiro na avenida Paulista. Trechos dela foram utilizados na reportagem "Ato na Paulista será 'termômetro' para medir popularidade de Bolsonaro, avaliam especialistas", publicada em 23 de fevereiro de 2024.

Bolsonaro e o Tarcísio


Sputnik - O que significa Bolsonaro convocar manifestações em seu favor em um momento desfavorável para ele e para o seu nicho? Seria um termômetro ou um “teste de fidelidade” em relação aos seus apoiadores?

Rogério Baptistini - O ato cumpre a função de manter a “tropa unida”. O bolsonarismo, que pode ser caracterizado como uma corrente política que une a extrema-direita brasileira, vive de espetáculos, de representações públicas. E o 25 de fevereiro é isso. Também é um teste à capacidade de resposta dos poderes do Estado Democrático, que estão sendo desrespeitados, sobretudo, o Judiciário.

Bolsonaro, com o ato, alimenta o seu público, provoca os poderes e se coloca como vítima de perseguição política. Zomba da cidadania e continua golpeando a Constituição que jurou respeitar quando presidente. Se porta como arruaceiro.

 

Sputnik - Como o senhor enxerga os atos convocados? O momento em que eles acontecem e os impactos que podem ter nas instituições políticas brasileiras.

Rogério Baptistini - Do ponto de vista da vida pública brasileira, o ato bolsonarista serve apenas para causar tensão e desviar o foco dos problemas que o país enfrenta.  A depender da adesão e das consequências, a semana será perdida no Congresso e a grande imprensa vai congelar a opinião em discussões estéreis, que é o que interessa aos que conspiraram contra a democracia e enxergam a cadeia como destino provável.

 

Sputnik - Quais os impactos que a depender da adesão, pode ter nas eleições municipais?

Rogério Baptistini - As eleições ocorrem segundo semestre. Até lá muita coisa vai acontecer. Portanto, não creio que seja possível, agora, especular uma relação entre o ato bolsonarista e as disputas municipais,  mesmo porque o PL , alguns caciques e candidatos poderão estar comprometidos com a Justiça.


O governador Tarcísio anunciou que irá hospedar Bolsonaro no Palácio de Governo e irá ao ato. É um compromisso com um político acusado de tentativa de golpe de estado, o maior crime que se pode cometer contra a própria sociedade.

Sputnik - Aliados aconselham o governador de São Paulo a não comparecer, o que a sua ausência ou presença representaria?

Rogério Baptistini - O governador Tarcísio anunciou que irá hospedar Bolsonaro no Palácio de Governo e irá ao ato. É um compromisso com um político acusado de tentativa de golpe de estado, o maior crime que se pode cometer contra a própria sociedade.

Além de ser um alienígena em São Paulo, tendo disputado a eleição sem ter relação verdadeira com o estado,  Tarcísio optou por um caminho que mancha irremediavelmente a sua biografia. É uma escolha.

De qualquer forma, em política,  é possível se reinventar.  Tarcísio parece ser esclarecido e ter uma visão moderna da gestão pública.  Diferente dos membros que formam a corrente bolsonarista.

 

Sputnik - É possível dizer que parlamentares e demais lideranças políticas que confirmaram presença no ato o fazem por “precisarem do bolsonarismo vivo”? Por quê?

Rogério Baptistini - Sim. Boa parte deles são soldados, não generais na política; constituem nulidades que surgiram na esteira do lavajatismo e surfaram na onda de adesão à liderança de Bolsonaro. Sem esta, viverão de críticas e arruaças, pois não tem programa.


Sputnik - Por outro lado, os que se colocam no campo da direita, mas preferem se afastar de Bolsonaro neste momento, o fazem de olho em uma possível “saída do bolsonarismo de cena”?

Rogério Baptistini - Há a extrema-direita direita e uma direita orgânica, histórica. Confundir as duas é erro! Muita gente esteve próxima e aderiu ao governo Bolsonaro no início, buscando emprestar sustentação ao governo.  Não eram bolsonaristas. Hoje, há muitos críticos ao governo Lula que não são da extrema-direita bolsonarista. A própria ideia de centro político foi confundida com centrão, o que é uma falácia.

Bolsonaro vai contar com os seus até o fim. Eles formam uma corrente política de extrema-direita que une empresários novos-ricos, autoproclamados pastores, militares indisciplinados, arruaceiros da Internet. Essa gente é perigosa, tem influência, mas não hegemoniza a direita ou o pensamento liberal brasileiro

 

Sputnik - Inclusive, a depender da adesão dos atos do próximo domingo, é possível falar em “começo do fim” do “comando bolsonarista” na direita brasileira?

Rogério Baptistini - Infelizmente, não. Creio que a extrema-direita veio para ficar, seja como bolsonarismo ou outro “ismo” criado e alimentado por espertalhões que explorem a pobreza e a ignorância partir do uso da Internet, das redes sociais e de seus suportes físicos, os smartphones.


Sputnik - Episódios como a fala de Lula, que fez alusão ao Holocausto ao falar da guerra em Gaza pode direcionar o evento? Qual impacto isso pode ter no cenário político brasileiro?

Rogério Baptistini - A fala de Lula será explorada, certamente. E o seu impacto já foi sentido. O importante, quanto ao bolsonarismo, entretanto, é avaliar a ação dos pastores evangélicos em relação ao seu público no médio prazo, pois a associação entre certa pregação cristã e Israel é  capaz de repercutir entre os fanatizados, que são erroneamente qualificados como gado por parte da esquerda.

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